UNA barbara e valentim

Centro Universitário Maria Antônia

Centro Universitário Maria Antônia

1/10

A rua Maria Antônia é uma referência na história da Universidade de São Paulo (USP) e um marco na vida cultural e política da cidade. Torna-se catalisadora de discussões acadêmicas e sociais com a instalação da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras no nesse endereço em 1949.
Após a violenta invasão do edifício por um grupo de estudantes de direita, acompanhado pela polícia, em 1968, a Faculdade de Filosofia foi transferida para a Cidade Universitária. A relevância desses acontecimentos definiu a razão de tombamento do edifício construção principal do conjunto.
O projeto de reforma e restauro procura adaptar o conjunto (Ed. Rui Barbosa e Joaquin Nabuco) ao novo uso, um núcleo de arte contemporânea que aglutina espaços expositivos, salas para cursos teóricos e práticos, o Teatro da Universidade e tem como questão central afirmar o caráter público que historicamente marcou esse patrimônio da USP. A proposta inclui o restauro das fachadas principais e mantém intacta a volumetria dos edifícios Rui Barbosa e Joaquim Nabuco, mas propõe uma nova relação do conjunto com a cidade. A área livre entre os dois prédios ganha a dimensão de espaço público, conformando uma pequena praça. No nível da rua, essa praça é o alargamento natural da calçada e define um acesso convidativo ao conjunto. No nível inferior, um pátio arborizado realiza a conexão entre os dois edifícios, criando, para o teatro, um lugar de apresentações ao ar livre. Requalificar os espaços livres, oferecendo uma ligação generosa do conjunto com a cidade, é a contribuição do projeto para a memória do movimento acadêmico, cultural e político que teve sede à rua Maria Antônia.
As intervenções mais significativas ocorreram no Edifício Rui Barbosa. O projeto mantém a organização espacial do prédio, caracterizada por uma escada central e três salões de tamanhos distintos. A abertura da varanda lateral revelou a parede original da construção primitiva do edifício, da primeira década do século XX. O salão maior, voltado ao interior do lote, não possuía laje, tanto no térreo como no primeiro pavimento; seu piso era constituído de barrotes e assoalho de madeira, totalmente comprometido pela ação de fungos e cupins. Essa estrutura foi substituída por peças metálicas e laje de concreto, dimensionada de acordo com seu novo uso, possibilitando exposição de obras com carga concentrada. Como conseqüência, a fachada lateral, absolutamente inexpressiva, passa a revelar essa intervenção e requalifica o plano que se volta ao novo espaço público. O brise, que ocupa grande parte dessa fachada, é um filtro industrial composto por fios de aço inox. Os painéis vieram modulados da fábrica e parafusados na estrutura metálica.
No térreo estão as salas de exposições, uma delas com amplas aberturas para a rua Maria Antonia. O nível inferior é ocupado por espaços de serviço, reserva técnica, além de um café e uma sala de dança e música. E no primeiro andar, mais três salas de exposição, de dimensões distintas.
O projeto revela os diversos tempos dos edifícios e o conjunto de transformações que acompanharam seus distintas ocupações. Articula espaços remanescentes, fundo de lote, edifícios originais e novas construções através de praças, rampas e uma passarela. O Centro Universitário Maria Antônia não é um edifício, mas fragmentos interligados, partes articuladas de um centro urbano densamente ocupado. Utilizado especialmente por estudantes e também por grande diversidade de pessoas, característica marcante do centro de São Paulo, o projeto da Maria Antonia é uma hipótese sobre intervir na cidade consolidada. Uma reflexão sobre construir a partir da cidade existente, com um patrimônio frágil nas suas qualidades arquitetônicas, sobre suas relações com a memória urbana e as transformações desejáveis na região central de São Paulo.

Local

São Paulo, SP

Data do início do projeto

2002

Arquitetura

UNA arquitetos: Cristiane Muniz, Fábio Valentim, Fernanda Barbara, Fernando Viégas

Colaboradores

Ana Paula Castro, André Ciampi, Apoena Amaral e Almeida, Camila Lisboa, Clóvis Cunha, Fernanda Neiva, Felipe Noto, Guilherme Petrella, Henrique Bustamante, Jimmy Liendo, José Baravelli, José Carlos Silveira Jr., Pablo Hereñu, Sílio Almeida

Construção

Gafisa / lk2

Estrutura de Concreto

França & Associados Engenharia

Estrutura Metálica

Engebrat Consultores, Engenharia e Projetos

Fundações

Engenheiros Associados Consultrix

Sondagem

Geoplano Serviços Técnicos ltda.

Instalações Prediais

Projetar Engenharia e Projetos

Levantamento Planaltimétrico e Cadastral

Etagri Serviços de Engenharia e Construções

Climatização

Thermoplan Engenharia Térmica

Acústica e Conforto Térmico

Ambiental s/c ltda.

Cenotecnia

J. C. Serroni Criações Visuais

Luminitecnia

Ricardo Heder

Consultoria em Conservação

Gedley Belchior Braga

Paisagismo

Sakae Ishi

Modelo Eletrônico

Clóvis Cunha

Fotos

Nelson Kon
Bebete Viégas

Folha de S. Paulo, caderno Sinapse
Novos Estudos | 2002
PROJETO 236
Mostra Internazionale di Architettura - Venezia 2004 - Padiglione Brasile
Urbs 33
Bravo 110
Area | Editora Motta Architettura, 2011, Itália
Summa+ | Editora Donn S.A, n. 96, 2008, Argentina
Prisma | Editora Mandarim, trimestral 25, 2008
A minha casa é um avião | Relogio D´Água Editores, 2007, Portugal | Autora Ana Vaz Milheiro
Revista Bravo | Editora Abril, 2006, Brasil
Coletivo_arquitetura paulista contemporânea | Cosac Naify, 2006, Brasil
Urbs | n.37, ano 02, 2005, Brasil
Metamorph, Vectors 9ª internacional architecture exhibition | La Bienalle de Venezia, 2004
Metrópole | 5ª Bienal Internacional de Arquitetura e Design de São Paulo, 2003